PERSONAGEM

Sejam bienvenidos ao mundo de Naya Violeta

Cajá com sal | 21/04/2016

Compartilhe:


créditos: lucas ribeiro

créditos: lucas ribeiro

Bárbara Zaiden

Por fora, mais um muro grafitado na capital goianiense. Do lado de dentro, uma atmosfera aconchegante para os que ultrapassam o portão daquela casa no Setor Universitário.

Uma das moradoras da casa possui quatro patas e uma energia quase inacreditável. Além de Tulipa e sua euforia, Nayara e Lucas também moram ali. Sob a mesa da sala , tecidos que futuramente serão transformados em peças de roupas dispostas milimetricamente na arara.

Os bibelôs e a mistura de cores dão a atmosfera singular para um lugar que, além de lar, é espaço de criação. É nele que Nayara Ferreira dos Santos imerge em seu trabalho de estilista.

Com afeto e consciência

As peças criadas por Nayara carregam uma bagagem de vida. Com fortes referências à cultura afro, a marca Naya Violeta transmite pulsação e afeto.

A microempresária leva a consciência social a suas produções explica que o processo de apropriação cultural não é necessariamente negativo: “Eu não acho que essa pessoa que usa turbante esteja errada, mas precisa haver um cuidado, as pessoas precisam se questionar, saber de onde vem. Cada amarração simboliza uma coisa diferente, existe uma história por trás”.

A fala rápida e o entusiasmo com que Nayara fala sobre seu trabalho demonstram como o cotidiano da jovem é marcado pela geração intensa de novas ideias e conceitos: “eu vivo em processo criativo. A moda é isso. Você constrói uma história, vende, e tem que construir uma nova. Você precisa de desapegar da peça e criar outra, que também deve fazer os olhos da cliente brilharem”.

Quando estava no Curso de Moda, na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Nayara estudou a temática do vínculo afetivo na moda e foi então que optou por trabalhar nesse viés.

A linha de Naya Violeta é marcada por produções personalizadas em detrimento da repetição de peças iguais feitas em grande escala e por um atendimento personalizado, nos moldes de ateliê, em que a cliente pode fazer sugestões encomendar suas preferências.

créditos: lucas ribeiro

créditos: lucas ribeiro

Alinhando os pontos

As produções criativas começaram a fazer parte da vida de Nayara ainda durante a adolescência, quando ainda produzia bolsas e as vendia para as colegas na escola. As habilidades manuais foram herdadas das tias e avós, que a encantavam por serem capazes de transformar tecidos em peças de roupas.

Quando ingressou no Curso de Moda, Nayara continuou exercendo a inclinação para as vendas, que aprendeu com os pais comerciantes, e tinha como clientes as professoras e colegas de curso das peças de roupa que começava a produzir.

Durante os cinco anos de faculdade a então estudante dividiu a vida entre a cidade natal, Goianira; Goiânia, onde mora; e Trindade, onde fez o curso superior. “A universidade foi importante para o meu aprimoramento, para eu saber quem seria Naya Violeta. O curso deu um formato de persistência e profissionalismo para a minha marca. Eu entendi que precisava ser boa e funcionar efetivamente”, conta a estilista.

O que vai, volta

Ao final do curso, o destino foi o Rio de Janeiro, onde Nayara fez o Curso Técnico Têxtil em Confecção. Mas mesmo morando em outras terras, a jovem, que hoje tem 27 anos, nunca deixa de lado sua história e suas raízes. Por isso ela sempre manteve parcerias com artistas locais e continuou produzindo em Goiás, principalmente na parceria firmada há alguns anos com o Casulo Moda Coletiva.

O retorno da estilista ao cerrado goiano foi marcado pela necessidade de dedicação integral à Naya Violeta. Há quase seis anos no mercado, a paixão pelo ofício escolhido e a intensidade com que encara a profissão demonstram porque o público foi cativado por suas produções.

Hoje, a estilista sabe que o reconhecimento da marca é fruto da qualidade dos produtos e da seriedade com que encara a afetividade como parte essencial de seu trabalho.

O processo de criação é intenso e cuidadoso, mas Nayara entende não deve se apegar às suas criações – que só ganharão vida ao serem utilizadas pelas clientes: “Eu vendo a peça porque com isso ela vai viver. A cliente vai levá-la a outros lugares, ter outras experiências com ela, e isso vai trazer outras pessoas para minha marca. Eu penso na roupa como um movimento comunicativo. Eu penso em me desprender da criação, porque com ela a cliente vai ser feliz”.

divulgação

divulgação

Comentários