Mostra de Cinema de Tiradentes

Realismo afetivo no cinema brasileiro

Alpendre Cultural | 27/01/2018

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Mesa de debate durante à 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes percorre as temáticas e detalhes dos filmes apresentados durante esta edição do evento

Mesa de debate "Chamado Realista: Cinema Brasileiro Contemporâneo" durante 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes

Mesa de debate “Chamado Realista: Cinema Brasileiro Contemporâneo” durante 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes

A realidade brasileira, apesar de árida, serve de material poético para criação cinematográfica. Isso foi uma das conclusões que os críticos de cinema chegaram durante a mesa na tarde deste sábado (27/1), durante a 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A intenção do debate era fazer uma panorama dos filmes apresentados durante esta edição do evento, questionando os seguintes fatos: o que esses filmes recentes e inéditos nos mostram? De que modo se apresentam? Quais questões elegem como material? Quais universos? Como se distinguem?

Um tema que permeou boa parte das produções cinematográficas apresentadas foi o uso do lugar para narrar a realidade contemporânea. Curtas e longas-metragens extremamente relacionados com alguma parte do seu local de origem, seja na ambientação ou até mesmo um personagem, que representa uma realidade brasileira. Raul Arthuso, um dos críticos que compõem  à mesa, afirmou que “cada vez é mais claro a relação dos filmes com aquilo que vivemos”. Ele também apontou a tendência do uso de experiências pessoais como matéria fílmica. “Ao invés de serem apenas um sismógrafo das tensões sociais, eles também vão em busca de histórias e vivências da sociedade, enquanto isso, refletem a história do Brasil”, conclui.

O jornalista e crítico de cinema do jornal Estado de São Paulo, Luiz Carlos Merten, contou que acompanha a Mostra Aurora desde o seu surgimento. Ele citou a presença forte de filmes tematizados no interior ou que trazem causas de um Brasil profundo. “O que eu espero é isso. Esse tema “Fora do Centro” foi o mote de um ano específico, em 2013,  mas vale por toda história da Mostra Aurora. Tudo que vemos aqui é fora do mainstream, fora do centro”, disse.

Participaram da mesas os críticos de cinema: Cecília Barroso (direita); Luiz Carlos Merten; e Raul Arthuso (esquerda)

Participaram da mesas os críticos de cinema: Cecília Barroso (direita); Luiz Carlos Merten; e Raul Arthuso (esquerda)

Sismógrafo Social

Por fim, a jornalista e crítica de cinema do Distrito Federal, criadora do portal “Cenas de Cinema”, Cecília Barroso, afirmou a recorrência de assuntos sociais, mesmo em filmes que não são documentais. “O cinema brasileiro, historicamente, tem um caminho muito próprio de estar sempre trazendo o real para dentro dele. É um cinema muito variado, você pode acessar esse real de várias formas, mas você está sempre ligado a isso, que é uma característica”. Ela identifica que o filme nacional está sempre dialogando com o presente e com o social: “é uma coisa que faz parte da criação dos filmes brasileiros”.

Final

A 21ª Mostra Tiradentes de Cinema chega ao final neste sábado (27) com a divulgação dos vencedores das Mostras. Ainda hoje serão apresentados os longas “A Moça do Calendário”, de Helena Ignez, “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim”, de Eduardo Ades e Marcus Fernando.

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