POESIA

“Poesia é difícil. Muita gente diz que nem gosta, acredita?”

Entrevistas | 28/01/2016

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ENTREVISTA COM WALACY NETO

Walacy é escritor, jornalista e criador do selo literário Zé Ninguém.

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Da Redação

 “Poesia é difícil”, é o que reitera o jovem escritor e jornalista Walacy Neto. Através do selo literário Zé Ninguém, o itaberino promove no dia 31 de janeiro a primeira edição do ano do projeto Vende-se um Sarau, no Evoé Café com Livros. O palco é aberto e todos estão convidados à subir no banquinho e discutir poesia e literatura. Há ainda a apresentação do músico Uirá Paiva.

No ano passado, Walacy participou de grandes eventos nacionais, a exemplo da Balada Literária e do OFF Flip, em Paraty. De acordo com o realizador, os sarais de domingo são uma forma de resistência. “O sarau de domingo é bom pela resistência em acontecer todo último domingo do mês. O pessoal meio que se agenda e se acontece de mudar a data ou algo do tipo, os interessados ainda vão no Evoé procurando saber do sarau”, explica.

Continuidade é a palavra-chave para descrever o peso que os projetos do zelo Zé Ninguém ocupam na programação de poesia em Goiânia. Para Walacy, assim como o Vende-se um Sarau, a Zé Ninguém já tem um “peso” na cultura produzida em Goiânia justamente por não ter acabado. Em entrevista à Revista Cajá, o poeta afirma que a poesia ainda tem dificuldade na aceitação do público: “muita gente diz que nem gosta, acredita?”.

Acompanhe a entrevista com Walacy Neto:

“Poesia é difícil. Tem gente que fala que é igual tirar leite de pedra.”

Quais ações realizadas pelo selo Zé Ninguém nos últimos meses e em especial essa edição do Vende-se um Sarau do domingo?

Este é o primeiro evento de 2016. Ano passado foi um ano importante pro selo literário, conseguimos participar de grandes eventos nacionais como a Balada Literária e também estivemos na OFF Flip, em Paraty. O sarau de domingo é bom pela resistência em acontecer todo último domingo do mês. O pessoal meio que se agenda e se acontece de mudar a data ou algo do tipo, os interessados ainda vão no Evoé procurando saber do sarau. Isso é bom. Nesse fim de semana tem a participação do músico Uirá Paiva que é de Barra do Garça e eu gosto muito do trabalho. Ele se apresentou apenas uma vez por aqui, no CCON, e boto muita fé no trabalho dele.

 Já tem tempo que você produz e está inserido nesse contexto da poesia marginal ou dos saraus. Como é a receptividade do público com a Zé? Trabalhar com letras e poesia, independente ou dependente, é tão complicado quanto os outros setores artísticos-culturais?

Assim como o Vende-se um sarau a Zé Ninguém já tem um “peso” na cultura goiana justamente por não ter acabado (isso acontece muito). Acho engraçado quando alguém pergunta se eu sou o Zé Ninguém, virou meio que um eu lírico, um avatar. Além disso muita gente se descobriu e descobriu muita coisa boa por ali, coisa que a gente não planeja e que acaba sendo melhor que a própria programação que elaboro. Poesia é difícil. Tem gente que fala que é igual tirar leite de pedra. Por isso muitos poetas da atualidade falam de resistência e etc. Trata-se disso em muitos dos casos. Meio que enfrentar negações e acreditar que tem validade o que faz. Mas não acho que exista um gênero artístico “mais difícil” que o outro. A poesia tem dificuldade na aceitação do público (muita gente diz que nem gosta, acredita?), já a música tem problemas quanto grandes gravadoras e divulgação. Cada um com seu elefante-azul.

Planos pra 2016?

Não temos exatamente um plano. Vamos seguindo e esperando, sem muita fritação. Mas tem espero publica meu livro este ano (como esperei em 2015). Acredito que está na hora no caso.

Quais espaços mais abrigam estes eventos de literatura/poesia/Zé Ninguém?

O Evoé não é só um espaço pra gente da Zé Ninguém. Tem uma relação que surgiu bem antes desses dois nascerem. Os primeiros saraus da gente foram no espaço antigo do café e também foram os primeiros eventos realizados por ali. Daí fica tudo mais leve e solto. Também fazemos alguns eventos no Espaço Sonhus e nas ruas da cidade (que é onde nos aceitam com mais facilidade).

sarauevoé (Luis Filipe)

luis felipe

 

 

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