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Os sons dos becos de Goiânia são tiros?

Cajá com sal | 14/04/2016

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Ação da ROTAM em última edição de evento no Grande Hotel divide opiniões sobre a ocupação do centro da cidade e o apoio da Polícia

 

POR WALACY NETO

 

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crédito: Kirah van der Lemon

O meio dia de uma terça-feira no centro de Goiânia se equivale a um formigueiro de pessoas. Pernas, tropeços, trombadas e um vai-e-vem de carros pelas avenidas principais. O sábado a tarde no centro de Goiânia se equivale a um deserto. Ao fechar da última porta de metal escandalosa a região meio que morre. A falta de movimento, ou seja, de vida possibilita variadas ocupações. No beco que fica atrás da minha casa um grupo de jovens transformou o espaço em uma boca de fumo de sucesso. A Rua do Lazer durante os sábados e domingos funciona como mocó para coisas furtadas pela vizinhança.

Esse cenário que descrevo esteve ameaçado por um grupo de pessoas ligadas a cultura da capital. O bando começou uma verdadeira invasão de locais como o Beco da Codorna, a Avenida Goiás, Praça Cívica e outros. Estes afirmam que a intenção é mostrar uma nova finalidade para esses espaços vazios. As formas de preenchimento seriam shows, teatro, exposições ou feiras.

No último domingo teve sol, mas não só isso. Haviam três eventos marcados pelo Centrão de Goiânia: o Quintal na Praça Cívica; o Sons do Beco no Grande Hotel; o Rock in Rua no Beco da Codorna. Calmamente o dia passava entre sorrisos e leveza encontradas apenas em um domingo a tarde.

Vai pra casa

As pessoas que caminhavam pela Praça Cívica mal ficaram sabendo que um pouco mais abaixo, descendo a Goiás, a ROTAM começava uma ação fora dos padrões da lei, mas dentro de sua ideologia. Sem nenhum aviso ou qualquer tipo de debate os policiais chegaram no evento Sons do Beco e começaram a distribuir pontapés. “Do nada dois camburões da ROTAM para o meu lado com taser nas minhas costas. Saí correndo”, conta uma das pessoas que estavam no local. “Perguntei porque eles estavam aqui e me responderam: desce correndo que é melhor pra você”.

A resposta sobre tratamento da PM para com os organizadores do evento, membros das bandas e até funcionários da Secult-Gyn que trabalhavam no dia não seria diferente. Anunciada pelo atual secretário de Segurança Pública e vice-governador José Eliton as medidas “enérgicas” não iriam contra os policiais, mas sim sobre o evento. De acordo com a fala do secretário a medida é atuar com mais “força” dentro desses eventos o que, nesse caso, pode se ler como opressão.

A violência e a confusão no último domingo me lembra de um show dos Racionais MC’s na Virada Cultural. De início uma suposta briga no público provocou uma ação desastrosa da PM. O dia está descrito na música “A Praça” no último CD lançado pelo grupo de nome Cores e Valores.

Tragédia, vida real com a mão de um animal

Brutal com os inocentes, crianças, velhos, presentes
Ação inconsequente, covarde e desleal
Os moleque com pedra e pau
Polícia com fuzil, bomba, carro pegando fogo

 

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