Fica2017

O X da questão: resultados e percepções da premiação do Fica 2017

Alpendre Cultural | 25/06/2017

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O X da questão: resultados e percepções da premiação do Fica 2017

Cena do filme “Martírio”, dirigido por Vicent Carelli

Walacy Neto/ Victoria Acerbi

O início deste domingo (25) teve sol, céu azul e os últimos momentos do Fica 2017. Com a ansiedade aflorada, os realizadores e o público se aglomeravam inquietos na porta do Cine Teatro São Joaquim, antes mesmo do horário marcado para iniciar a cerimônia de premiação. A primeira parte foi destinada aos filmes que concorreram na Mostra ABD Cine Goiás, dedicada exclusivamente à produção audiovisual goiana, logo após a grande Mostra Competitiva, que premiou produções nacionais, internacionais e regionais.

Mostra Competitiva

O grande premiado dessa edição foi o longa metragem “Martírio”, direção Vicent Carelli e co-direção de Tita e Ernesto de Carvalho. A película traz cenas fortes e comoventes sobre a violência que os povos Guarani Kaiowá sofrem rotineiramente pelas forças de repressão e opressão, organizadas por latifundiários, pecuaristas e fazendeiros dessa região. Além do prêmio de Melhor Obra do Festival, “Martírio” também foi contemplado na sessão melhor longa metragem.

Pela ótica dos visitantes que ocuparam as cadeiras do Cine Teatro São Joaquim, a melhor produção deste ano foi “Terra e Luz” do diretor Renné França, produzido em parceria com alunos e professores do Instituto Federal de Goiás (IFG). A premiação da Mostra Competitiva tem uma sessão específica para produções goianas, onde os filmes contemplados foram “Algo do Que Fica”, de Benedito Ferreira e “Real Conquista”, de Fabiana Assis, em primeiro e segundo lugar, respectivamente.

Vencedores

– Prêmio Jovem Universitário: Histories de la plaine, de Christine Seghezzi
– Troféu Saneago de Cinema Ambiental: Ilha, de Daniel de la Calle
– Melhor Filme Imprensa: Ninguém nasce no paraíso, de Alan Schvarsberg
– Segundo Melhor Produção Goiana: Real Conquista, de Fabiana Assis
– Primeiro Melhor Produção Goiana: Algo do que Fica, de Benedito Ferreira
– Melhor curta-metragem: Aprés le Volcan, de Léo Favier
– Melhor longa-metragem: Martírio, de Vicent Carelli e co-direção de Tita e Ernesto de Carvalho
– Menções honrosas: Automatic Fitness, de Alberto Couceiro e Alejandra Tomei; e L’Ours Noir, de Méryl Fortunat-Rossi e Xavier Séron

Mostra ABD Cine Goiás

A premiação para filmes goianos, durante o Fica, reuniu amigos e parceiros no Cine Teatro São Joaquim, numa manhã agradável de domingo, onde todo mundo parecia se sentir em casa. Um dos grandes destaques do prêmio Mostra ABD Cine Goiás foi à produção “Algo do que Fica”, de Benedito Ferreira. A ficção foi contemplada nas categorias Melhor Ator, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Ficção.

Vencedores da Mostra ABD Cine Goiás

Vencedores da Mostra ABD Cine Goiás

Outro filme que foi repetidamente chamado ao palco para receber o troféu foi a animação “A Noiva do Coelhinho”, de Rafael Franco. A produção foi destaque como Melhor Trilha-Sonora, Melhor Roteiro e Melhor Animação. A premiação para Direção de Filme foi para Yolanda Margarida com “Procura-se Marina”. Ao receber o prêmio, Yolanda contou entre soluços leves que a produção é também uma homenagem para todos os professores que teve no curso e durante a vida.

Vencedores

– Melhor Ator: Odon Bonfim, do filme Algo do que Fica
– Melhor Atriz: Ellen Moreira , do filme Procura-se Marina
– Melhor Trilha Original: A Noiva do Coelhinho, de Rafael Franco
– Melhor Som: A câmera de João, de Tothi Cardoso
– Montagem e Edição: Família S2, de João Henrique Pacheco
– Melhor Direção de Fotografia: Larry Sullivan, no filme Algo do que Fica
– Melhor Direção de Arte: Wesley Rodrigues, no filme O Veleiro Fantasma
– Melhor Roteiro: A Noiva do Coelhinho, de Rafael Franco
– Melhor Direção: Procura-se Marina, de Yolanda Margarida
– Prêmio Martins Muniz de Melhor Filme Experimental: Como Nascem as Amoras, de Larry Sullivan
– Prêmio Eduardo Benfica de Melhor Documentário: Real Conquista, de Fabiana Assis
– Prêmio Fifi Cunha de Melhor Animação: A Noiva do Coelhinho, de Rafael Franco
– Prêmio de Melhor Filme de Ficção: Algo do que Fica, de Benedito Ferreira

Fica2017 em números

Muita água rolou na 19° edição do Fica que, com uma programação extensa, reuniu uma série de conteúdos relevantes para a consolidação da história do Cinema e Meio Ambiente em Goiás. Foram oito Mostras de Cinema (Mostra Competitiva; 15° Mostra ABD; Mostra Paralela de Cinema Brasileiro; IX Mostra Infantil – Fica Animado; I Mostra de Audiodescrição; I Mostra Saneago de filmes Temáticos sobre a Água; Mostra em parceria com Uranium Film Festival e Mostra UEG-Fica), totalizando 363 obras inscritas, dentre 189 filmes nacionais, 174 internacionais e 45 produções goianas, onde 234 eram do gênero documentário, 55 animações e 74 ficções. Sobre a respectiva repercussão cinéfila, o Fórum de Cinema reuniu 5 mesas de discussão com renomados profissionais, além de 5 oficinas, que se estenderam para o fazer cinema. A premiação do festival destina R$280 mil para a Mostra Competitiva, R$120 mil para a Mostra ABD Cine Goiás e R$30 mil para a I Mostra Saneago de Filmes Temáticos sobre a Água. Na programação musical, as atrações se voltaram para um show nacional e 17 regionais. Os números também apontaram um considerável aumento do público que acompanhou as mostras de cinema, lotando a sala, em algumas sessões. A Mostra Competitiva, por exemplo, atraiu mais de 3,4 mil pessoas, enquanto no ano passado, o número foi de 2,8 mil.

Movimentando a economia

Valorizando a comunidade local, o festival abriu 230 vagas de trabalho temporário nas áreas de recepção, segurança, apoio, monitoria e limpeza (projeto Fica Limpo). Além disso, a organização acredita que o turismo estimulado durante a semana festiva tenha movimentado cerca de R$2 milhões dentro do município de Goiás, incluindo o fluxo turístico como hospedagem, alimentação e lazer, fora investimento do próprio Fica (R$900 mil).

Encerramento

Para fechar em grande estilo a semana mais charmosa da cidade de Goiás, às 20h, Diogo Nogueira & Hamilton de Holanda se apresentam na Praça de Eventos desse domingo. O espetáculo “Bossa Negra”, oriundo da união da dupla, é inspirado no clássico álbum “Afro-Sambas” de Baden Powell e Vinicius de Moraes, trazendo uma releitura bossa-novista bem sambada.

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