Fica2017

Fica2017: Confluência entre público e cineastas reverbera nos minicursos e workshops

Alpendre Cultural | 22/06/2017

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Oficinas e minicursos de cinema são realizados na UEG onde também foi montado o Cine Cora Coralina

Oficinas e minicursos de cinema são realizados na UEG onde também foi montado o Cine Cora Coralina

Walacy Neto

O mês de junho não é feito só de quadrilhas, fogueiras, pipoca e quentão. Embora seja reconhecido mundialmente como o mês do meio ambiente, junho também é a data que ocorre o Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica) na Cidade de Goiás. Está é a 19ª edição e tem como tema central Cidades Sustentáveis. Porém, o Fica vai além das mostras de cinema, muito além. O Festival realmente convida o público a pensar o Cinema e Meio Ambiente durante os seis dias de programação.

A confluência entre público e organizadores é mais clara nas oficinas, minicursos e workshops que ocorrem em vários locais da cidade. De quarta-feira (21/6) até sexta (23), produtores, diretores e críticos de cinema recebem os participantes para discutir o que permeia o audiovisual. Infelizmente, os minicursos são para quem se inscreveu antecipadamente. Os temas são Crítica de Cinema, Análise Fílmica, Trilha Sonora no Cinema e Direção de Arte e Cenografia.

O crítico de cinema e editor da revista especializada Foco, Bruno Andrade, ministra um minicurso sobre análise de produções cinematográficas. Ele contou que existe uma distância relevante entre o que conhecemos como crítica de cinema e crítica cinematográfica. “O que temos muito, hoje em dia, são textos falando sobre cinema que chamamos de crítica”, explica Bruno. Ele também discorre sobre um formato de crítica que utiliza o vídeo na composição e têm se popularizado com YouTube. “Esses ensaios em vídeo encurtam a distância entre objeto estético e o enunciado que se faz dele em forma de texto”, conclui.

Trajetória no Fica

Pelos corredores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) várias salinhas abrigam debates e trocas de conceitos sobre fazer cinema. Em um desses espaços com paredes de tijolos à mostra está Benedito Ferreira conversando com um dos alunos da oficina de Direção de Arte e Cenografia, ministrada por ele. Efusivo, o cineasta fala com a aluna que pretende “experimentar” na próxima aula e ela sorri e comemora. “Acho importante saber com quem a gente está conversando. Não gosto de manter uma estrutura muito rígida, prefiro assim”, diz Benedito.

A história do cineasta dentro do Fica é interessante: ele conta que em 2006 participou de uma oficina de Direção de Arte com o cineasta Shell Júnior ainda quando começava a cursar cinema. “E agora, mais de dez anos depois, estou aqui dando uma oficina que tem o mesmo título da que fiz em 2006, isso é muito importante pra minha trajetória”, diz Benedito.

Filme Goiano?

A UEG na Cidade de Goiás pode ser considerada um dos polos criativos do cinema no Estado. O Fica também é um exemplo de como a região tem mostrado um foco maior para a prática do audiovisual.

Porém, de acordo com Benedito, é melhor deixar de lado o título “filme goiano” e pensar mais em cinema, amenizando vícios categóricos. “Acho um título problemático. Parece uma categoria, sabe? Para mim, são filmes e é claro que  é realizado dentro de aspectos sociais dentro de contextos, mas acho que esta questão geográfica não basta”, afirma.

O ministrante do workshop de Direção de Arte e Cenografia prefere falar de cinema pensando caminhos. “Os filmes de Goiás têm trabalhado diversas formas: a memória afetiva pela cidade de Goiânia, por exemplo; outros que olham mais para o interior e abordam a questão agrária. Cada filme tem um caminho”, explica o cineasta.

Fica 2017

A programação do festival continua com a Mostra Competitiva a partir das 15h no Cine Teatro São Joaquim e Cine Cora Coralina. Nesta quinta-feira, a Mostra ABD inicia às 19h30 nos mesmos locais. Saboreie e acompanhe a cobertura jornalística do festival na revista Cajá.

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