Fica2017

FICA 2017: Em 50 anos de “Terra em Transe”, Eduardo Escorel discorre sobre o fazer cinema em tempos caóticos

Alpendre Cultural | 23/06/2017

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Foto: Walacy Neto

Foto: Walacy Neto

Walacy Neto

Durante palestra, o professor, cineasta e colaborador da revista Piauí, Eduardo Escorel, falou sobre cinema e política nos 50 anos do filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha

A Cidade de Goiás, analisada visualmente, parece estar parada no tempo. As casas de janelas arredondadas e pedras gastas remetem à época colonial brasileira, mas rapidamente, parece caracterizar uma ilusão. Dentro do Cine Teatro São Joaquim, na manhã desta sexta-feira (23/6), a discussão discorria permeando o cenário político brasileiro e como o cinema atua nesse espaço.

A palestra intitulada “Cinema e Política: 50 anos de Terra em Transe” mediada pelo professor Lisandro Nogueira, contou com a participação do cineasta, professor e colaborador da revista Piauí, Eduardo Escorel. Conhecido por atuar em filmes aclamados pelo grande público, como o próprio Terra em Transe, Cabra Marcado para Morrer e outras estimadas obras cinematográficas, Eduardo começou a palestra com uma indagação que, segundo ele, seria o ponto central da conversa.

“Nós estamos à altura do nosso tempo? Nós – cineastas, jornalistas, cinegrafistas – somos capazes de interagir com o tempo presente e representar, através dos filmes, a crise política que o país vive? Para mim não”, declarou Eduardo. Logo depois, o cineasta reiterou que é um tanto cético em relação ao dito cinema político atual. Para ele, o cinema político deve gerar questões ou ao menos olhar acontecimentos de maneiras novas e inesperadas.

Princípios Básicos

Ao final de sua fala, Eduardo enumerou o que, para ele, são os princípios básicos para o florescimento verdadeiro de um cinema político no Brasil atual. “Primeiro é necessário um território criativo e fértil; depois vem a independência do Estado na criação cinematográfica; também é básico identificar causas relevantes e equilibrar reflexão com entretenimento. Só assim o cinema político pode apresentar filmes que levam o público a questionar e que também propõe indagações sobre o próprio fazer audiovisual” finaliza.

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