Fica2017

Fica 2017: Todo mundo espera alguma coisa de um Fica à noite

Alpendre Cultural | 23/06/2017

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Fica 2017: Todo mundo espera alguma coisa de um Fica à noite

Victoria Acerbi

Cai a sexta-feira na cidade de Goiás e junto a ela, o caldeirão que ferve na tradição boêmia do Fica. A grande maioria dos participantes indiretos do festival chegam no final de semana, por trabalharem em horário comercial, cheios de sede. Fora a cachacinha de mutamba ou a clássica cervejinha gelada, os visitantes aparecem em busca de aventura, música e reencontros. A cidadezinha histórica recebe seus turistas de braços abertos, com aquela comidinha caseira e o jeitinho hospitaleiro goiano, com que se recebe uma visita. Dentre os mimos da antiga Vila Boa, está a boa e velha noitada, caracterizada por muito batuque, excentricidade e dança. Perceba os rolês que a cidade de Goiás preparou para você durante o fim de semana do Fica 2017:

Brasilidades do Fica

[Sexta-feira] Antes de anoitecer desta sexta (23), às 17h, o Palco do Coreto apresenta Carlos Rizzo e Poninha, dupla de pai e filho vilaboenses que, juntos, musicalizam desde a MPB até o forrozinho colado. Às 19h30, na Igreja São Francisco, Pedro Vaz e Jefferson Amorim Duo formam o inusitado duo de viola caipira e baixo elétrico, apresentando arranjos instrumentais de canções consagradas, músicas autorais e releituras de temas compostos para viola instrumental. Logo depois no mesmo local, às 20h10, é a vez de Brasil in trio; composto por saxofone e flauta, percussão e violão de sete cordas, que englobam um verdadeiro espetáculo da música popular brasileira, proposto com expressões inovadoras, mas que não rompem com a tradicionalidade.

Em sequência, Nilton Rabello, às 20h30, se apresenta no Palácio Conde dos Arcos, levando ao público seus 36 anos de violão rebuscado e fortes composições de diversos estilos, que vão desde a Bossa Nova até a MPB clássica. O ápice da noite, às 21h15 no Palácio Conde dos Arcos, fica por conta da doce Bruna Mendez, que se apresenta com a intensidade azul do álbum “O Mesmo Mar que Nega a Terra Cede à Sua Calma”, aveludando os ouvidos e corações da platéia com sua poesia musicada. Por fim, a noite de sexta encerra, às 22h30, no Palco do Coreto, o show com Rute Castro, que também cantarolará a boa e velha MPB.

[Sábado] No sábado (24), às 17h, o Palco do Coreto abre alas com muita brasilidade do Grupo Vila Boa Samba Àtoa, formado por amigos amantes da música que percorrem o repertório astuto do samba como Adoniram Barbosa, Chico Buarque, Clara Nunes, Demônios da Garoa e Noel Rosa. Às 19h30, na Igreja São Francisco, o grupo Vida Seca manda o seu sonido peculiar, através de alternâncias sonoras baseadas na sucata, numa trajetória consolidada de 12 anos de arte auditiva.  Na Igreja do Rosário, às 20h30 é a vez da Banda de Câmara Tonico do Padre, caracterizada por um repertório totalmente dedicado a compositores brasileiros, dando ênfase aos compositores goianos, buscando a sonoridade de bandas antigas do coreto, principalmente da virada do século XIX ao XX, trazendo músicas e arranjos originais dessa época em performance de alto nível artístico.

Às 20h30, no Palácio Conde dos Arcos, se apresenta Laércio Correntina com Show Esteta, acompanhado de seu violão nylon e todo o conteúdo musical voltado para elementos rítmicos e folclóricos, harmônicos e melódicos, literários e filosóficos que se mesclam numa tentativa de interação autêntica entre o erudito e o popular. Às 21h15, no Palácio Conde dos Arcos é a vez de TonZêra, com o show “A Ideia do Novo Não Para”, que sintetiza seus dois primeiros álbuns “Com Fusão” e “No Meio do Mundo” num espetáculo cênico todo elaborado. Ainda no Palácio Conde dos Arcos, às 22h, acontece a apresentação “Destemperado” – Jukebox From Hell, balançando as estruturas de uma mistura da boa, delineada por rock n roll, influenciado pelo hard rock setentista e oitentista e uma pitada de jazz rock. Finalizando o sábado, a banda Velhos Caninos se apresentam às 22h45 no Palco do Coreto, musicalizando mazelas sociais, políticas e conflitos existenciais do ser humano.

[Domingo] A domingueira abre alas no Palco do Coreto, às 17h, com a maravilhosidade da Roda de Samba do Conjunto Samba Matuto, que, fazendo jus a tradicionalidade, emitem um coro sincronizado em meio ao som altamente dançante dos instrumentos, por meio de clássicos do samba, salientando também o lado B do ritmo. Às 19h, no grande Palco de Eventos, o show “Molho Pardo”, interpretado por Pádua e sua linguagem direta musical, delineia a abertura. Encerrando o Fica 2017, às 20h, na Praça de Eventos se apresentam Diogo Nogueira & Hamilton de Holanda, através do espetáculo “Bossa Negra” – inspirado no clássico álbum “Afro-Sambas” de Baden Powell e Vinicius de Moraes – oriundo da união entre o talentoso Diogo Nogueira e o instrumentista Hamilton, criador do bandolim de dez cordas.

70° Arraiá do Capim

E não é que também é tempo de Arraiá na cidade histórica? Desde o dia 14 de junho até o dia 23, a Praça do Capim permeia a 70° Festa de São João Batista, tradicionalíssima na antiga Vila Boa. As mulheres precursoras da organização do arraiá deixaram o legado adiante, permitindo que o costume permanecesse. A festança religiosa conta com as já sabidas maravilhas de uma festa junina, como os quitutes, quentão, brincadeiras e shows locais. Compensa dar uma passada para experimentar sabores e conhecer um pouquinho de setenta anos de história.

Ouvir um bolachão no boteco

A conceituada discotecagem de Alexandre Perini chega à Goiás semeada de vinis clássicos e lado B arrepiantes. Nesta sexta (23) e sábado (24), às 18h, o histórico Bar do Stênio – localizado próximo a primeira ponte depois da Casa de Cora (quase ao final da rua, à direita) – disporá aquela boa cerveja gelada baratinha e o convidativo rango goiano. O libertário Paulo Monarco também se apresentará no boteco e o couvert artístico será voluntário, o que não deixa de ser merecido.

Bar do Stênio "goianaço"

Bar do Stênio “goianaço”

Casa Verde

A inauguração de uma casa cultural na cidade histórica promete sacudir as ruas de pedra. Ao lado da Praça do Chafariz, a Casa Verde toma vida por meio de um casarão daqueles tradicionais e arrepiantes da terra coralina. Nesta sexta-feira (23), às 17h, a casa abre com Maria Clara Dunck e Pilar Bu, mediando mais um encontro do Leia Mulheres Goiânia. Às 20h, o Cortejo do Bloco Coró de Pau vai batucar os corações e sair pela cidade traçando um caminho até o novo casarão, que será recebido pela discotecagem de Pri Loyola. No sabadão (24), a Casa Verde abre com vários sons especiais logo ao meio dia e a parte vespertina fica por conta dos meninos arretados do Samba Matuto, seguidos pela discotecagem do Dj Mário Pires. No cair da noite de sábado, os meninos Bruno Caveira e Igor Zargov quebram tudo em mais uma edição da Felamacumbia, desta vez com a participação de Cesar Silveira. Por fim, no domingão (25), a tarde já começa com o chorinho do Quarteto Borandá, daquele jeitinho charmoso que só o choro tem. Além disso, a casa promete comidas saborosas e uma lojinha para quem aprecia uma boa arte.

Morro do Macaco Molhado e o amanhecer do dia

O bom e velho Morro do Macaco também abre ao final das atrações; forró, música brega e muita dança deslizam sobre o salão em meio à luz neon de discoteca. A cerveja é trincada e barata e a cidade toda acaba se encontrando ali, cedo ou tarde. Conhecido por raiar o dia, o Morro do Macacaco é, sem dúvida, uma das tradicionalidades noturnas da cidade. Quem se anima a varar a noite, pode ver o nascer do sol no alto da Igreja Santa Bárbara, depois de subir incontáveis degraus. Para finalizar a distração, um bom e velho conselho: tem biscoito frito e bolinho de arroz quentinho a R$1 no Mercado Municipal.

 

 

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