ENTREVISTA

Embarque no universo sensorial e imaginativo de Carlo Batistella

Entrevistas | 05/12/2016

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ENTREVISTA COM CARLO BATISTELLA

Carlo é artista visual

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Pyramids VII

Pyramids VII

Da Redação

Linhas e recortes que confundem-se com paisagens imaginativas e surreais, num jogo de luz e sombra. Florestas e pirâmides. Cores que se convergem entre o vermelho e o cinza, o azul e o marrom, num ritmo e harmonia. O artista visual Carlo Batistella começou a se interessar pelo desenho ainda na infância, quando já era fascinado pelos modernistas e impressionistas, como Cézanne e Henri Rousseau. Nunca dez nenhum curso na área de artes plásticas e o amadurecimento do seu trabalho se deu lentamente pelo processo de observação e experimentação.

O goiano participa da Exo Engroove, juntamente com a artista Fabiana Queiroga, no dia 10 de dezembro, na galeria 588 Art Show, num projeto musical criado pelos DJs Pri Loyola e Angelo Martorell. Em entrevista, Carlo reitera a necessidade de se repensar a arte como um processo de democratização de um mercado que sempre foi mais fechado a propósitos específicos. Para ele, “é preciso tornar a arte mais visível e acessível, até mesmo em questão de valores, é um desafio que precisa continuar sendo enfrentado, e Goiânia, que se moderniza num ritmo acelerado, tem hoje alicerce para essa transformação e esse amadurecimento”. Saboreie a entrevista.

“As galerias são importantes para o mercado e para os artistas, mas a arte não pode ficar presa dentro delas”

 

Conte-me um pouco sobre o Carlos enquanto artista. Quando partiu o interesse pela arte? Quais exposições participou? Como funciona o seu processo com a pintura? O que te move nas pinceladas? 

Comecei a me interessar pelo desenho e pela pintura ainda na infância. Pintei minha primeira tela aos 12 anos de idade. Nessa época eu já era fascinado por alguns artistas impressionistas e modernistas, como Camille Pissarro, Paul Cézanne e Henri Rousseau. Como pintava esporadicamente e nunca fiz nenhum curso na área, o amadurecimento do meu trabalho se deu lentamente e meu aprendizado sempre aconteceu a partir de processos de observação e experimentação, funcionando dessa forma até os dias atuais. A vontade de criar imagens que traduzem uma nova maneira de enxergar o mundo e o espaço é o que sempre me move quando me coloco diante de uma tela em branco.

Como enxerga o mercado de arte em Goiânia? Existe um amadurecimento nas galerias? 

Morei fora de Goiânia por alguns anos e retornei recentemente. Estou de certa forma impressionado em ver como a nossa cidade vem explorando novas possibilidades de contato entre a produção artística e o público. Novos conceitos de galeria e exposição estão surgindo e isso reflete, também, num maior interesse do goianiense pelas artes visuais. É um processo de democratização de um mercado que sempre foi mais fechado a propósitos específicos. Tornar a arte mais visível acessível, até mesmo em questão de valores, é um desafio que precisa continuar sendo enfrentado, e Goiânia, que se moderniza num ritmo acelerado, tem hoje alicerce para essa transformação e esse amadurecimento. As galerias são importantes para o mercado e para os artistas, mas a arte não pode ficar presa dentro delas.

Levar uma exposição para um espaço que não necessariamente é exclusivo para arte é se aventurar em outras possibilidades de arte. Como funciona esse processo de ocupação no seu trabalho?

Essa exploração de novos espaços e novas formas de expor é fantástica, pois promove ao público uma experiência multicultural mais interessante, colocando ainda o artista e sua obra num contexto social mais abrangente. Pretendo explorar ao máximo essas novas propostas de exibição do meu trabalho, onde ele entra para enriquecer um organismo múltiplo, e não exatamente para ser o único atrativo.

Uma obra que te inspira?

Eu não saberia pontuar uma obra específica, mas tem uma particularidade do trabalho da artista brasileira Adriana Varejão que me inspira bastante. Varejão não é escravizada pelo próprio estilo. Sua obra está livre daquela obrigação muito comum no mundo das artes plásticas de se desenvolver uma identidade visual que caracterize o artista. Sempre tive medo desse aprisionamento. A cada novo trabalho apresentado ela sempre traz algo diferente na temática, na técnica e no visual. Isso é lindo.

Até quando o paisagismo te influencia?

Integralmente. Explorar e transformar a paisagem sempre fez parte dessas duas vertentes na minha vida profissional. Os elementos fundamentais da arte visual estão ali em ambos os processos: linhas, formas, cores, texturas, ritmo, harmonia… E no meu caso, a natureza entra como o pilar de tudo. É dessa mistura que nascerá a experiência sensorial humana.

As linhas e recortes das imagens que você produz confundem-se com paisagens imaginativas e surreais, num jogo de luz e sombra. Florestas e pirâmides. Como você enxerga essas paisagens que cria?

Eu penso que o componente surreal das minhas paisagens seja o catalizador emocional do meu trabalho. É ele que desperta a curiosidade e a imaginação, promovendo uma viagem a algo novo, desconhecido e até misterioso. A técnica realista, onde o tratamento de luz e sombra se insere, é necessária para que eu não caia em algo simplesmente abstrato. Quero que, como eu, quem olhe uma paisagem minha sinta vontade de nela adentrar para desbravá-la.

ponto-de-fuga

Ponto de Fuga

 

Pyramids IV

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Galhadas III

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