Canto2017

Canto2017: encantos e desencantos

Alpendre Cultural | 08/10/2017

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Victoria Acerbi

Hamilton de Holanda e seu bandolim

Hamilton de Holanda e seu mítico bandolim

O bandolim de Hamilton de Holanda cativou o sambado do público na noite de sábado (7). Em um show extenso, o carioca e sua banda meticulosa, fizeram uma apresentação saudosista e aveludada para os ouvidos do maior público do festival. O bandolinista, que teve seu primeiro instrumento aos cinco anos de idade, deixou a plateia boquiaberta com sua intimidade à melodia de cordas. Ora em caráter apenas instrumental, ora cantando renomadas faixas brasileiríssimas, Hamilton afetou positivamente a energia dos pirenopolinos e visitantes da cidadezinha histórica.

As pessoas estavam sedentas por um bailado e foram muito agraciadas pelas vozes das grandes cantoras que acompanharam o Baile do Almeidinha. Mariana Aydar foi a primeira convidada a relembrar clássicos da música brasileira, como “Feira de Mangaio”, do grande compositor Sivuca e conhecida pela voz de Clara Nunes. Em seguida, a banda recebeu a presença da espanhola Sílvia Pérez Cruz, que levada por um naturalismo contagiante, alcançou belos agudos em inveteradas canções, como “Carinhoso”, de Pixinguinha. Por último, Mariene de Castro e suas cabelos esvoaçantes finalizaram o baile em grande estilo, percorrendo Bossa Nova e Samba. O encerramento da noite foi com as três beldades e seus belos picumãs, que deixaram o famoso pedido de não deixar o samba acabar.

As perfumadas do Baile do Almeidinha

As perfumadas do Baile do Almeidinha

A noite de sábado se iniciou no Cine Pirineus, com os shows dos roqueiros da banda Vértize e Casa Bizantina. Já no Cavalhódromo, Grace Carvalho percorreu patamares do samba, como já de costume, acompanhada de sua banda que, diga-se de passagem, estava bastante sincronizada musicalmente.

O que sextou do Canto

Na noite de sexta-feira, Mart’nália cantou suas interpretações de sucesso e respectivas novidades no palco do Cavalhódromo. Levando uma leve timidez em contato com o público, a filha de Martinho da Vila esboçou doçura e gingado ao tocar instrumentos importantes da cultura musical brasileira, como o agogô e a poderosa cabaça com miçangas, chamada xequerê. O público gay estava em peso na apresentação, apreciando uma de suas musas da raiz brasileira.

A sexta-feira (6) também contou com as bandas Guetsu e Mr Gyn no Cine Pirineus. Fernando Perillo e Banda Kalunga abriu o show de Mart’nália, à base de vaia e clima de protesto. O público o aplaudiu pouco ou quase nada, tanto pela insatisfação da apresentação, quanto pelo número raso de ouvintes.

Desafogo de uma voz entalada

Em um momento do show, Mart’nália leu uma faixa que um grupo da plateia a mostrava, mas não parecia entender muito bem o que era aquilo. Tratava-se de uma manifestação de um coletivo de residentes de Pirenópolis, na qual questionavam a qualidade da programação musical do festival. O pequeno conjunto de manifestantes, que preferiu não se identificar, pediam um olhar para a valorização da cultura local, já que nessa edição do Canto, nenhuma atração da cidade consistia na lista dos selecionados.

Os componentes do protesto são do Fórum de Músicos Locais de Pirenópolis, que segundo eles, frequentemente, se mantém inteirados dos eventos da cidade e buscam reconhecimento pelo novo, na ideia de desmanchar a suposta panelinha que existe entre os eventos culturais. Posicionados no show de Fernando Perillo, os protestantes usavam faixas autoexplicativas e frases de efeito, de uma maneira relativamente discreta, mas incisiva visualmente aos olhos dos que ali estavam.

Manifestação de um coletivo que tem algo a dizer

Manifestação de um coletivo que tem algo a dizer

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