Canto2017

Canto2017: um contato intimista pairou na reabertura do festival

Alpendre Cultural | 05/10/2017

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Os agudos fortes das mulheres do Passarinho do Cerrado entoaram um som contagiante.

Os agudos fortes das mulheres do Passarinho do Cerrado;

Victoria Acerbi

A segunda semana do Canto da Primavera retomou o festival na noite de ontem (4) 

O som estava em perfeita sintonia, mas a plateia não estava cheia. “Melhor qualidade do que quantidade”, um ouvinte dizia a outro, defendendo a ideia de que melhor do que um supitar aleatório, é um público conectado à arte que lhe está sendo apresentada. Nesse cenário, se fez a noite de quarta-feira um tato mais intimista, mas com seus devidos significados.

O petit comité

Os cabeludos da banda goiana Chá de Gim abriram a noite de ontem (4) no Cine Pirineus. Entre os instrumentos que compunham o grupo, o vocalista Diego Wander cantava o som da cuíca, em meio sua voz ativa, como alguém que parecia dizer o que muitos ali pensavam. Poesias faladas, entre as canções performáticas e uma reza a preto velho, feita pelo percussionista Pompilho Machado, conseguiu deixar a plateia, por ora, um tanto passada. Ficou claro escutar uma participante do show, que mora em Pirenópolis, sussurrar à amiga sobre a representação da contracultura, referindo-se ao grupo. Da guitarra ao triângulo, os meninos deixaram seu recado ao Canto.

O quinteto Passarinhos do Cerrado se apresentou em agudos altíssimos de um trio poderoso de mulheres, em meio a voz grave o bastante de Rodrigo Kaverna, para uma imponência de quem fala. Difusores do maculelê e propagadores de uma consciência elevada por meio da música, o grupo arrancou pingos de suor de pequenas rodas de Côco que se firmaram durante o show. Era possível contar nos dedos quem é que não se levantou para dançar ou ao menos sorriu com aquele tanto de informação cantada e emotiva, responsável por plantar uma semente poderosa através do grito musicado.

Bororó e Banda Brasil Nação Kalunga principiaram as apresentações do Cavalhódromo. Embora vazio o suficiente para todo aquele sonido responsável, a troca entre banda e público parecia acontecer de maneira mais direta. O groove do baixo era de tocar qualquer leigo que por ali passasse, tanto quanto um conhecedor do assunto. A velha guarda do som instrumental emitia uma sonoridade gradual, começando pianinho e encerrando com certa agressividade serena, com mesclas de psicodelia.

O final da noite ficou com Azymuth e Marcos Valle, revirando clássicos de um baú que agradou a pequena plateia. A convite do vocalista, sua companheira subiu ao palco e também agradou no vibrato, fazendo todo jus a uma backing vocal que a banda pedia. Valle ainda lembrou músicas que compôs durante a ditadura militar, como “Baby, don’t stop me”.

E a noite desta quinta-feira delineia um cenário de vozes femininas. Do samba ao rebuscado dramático, com entonações de diferentes ruídos de mulheres, as bandas acompanham a melodia de dizeres cantados. Débora di Sá abre a noite no Cine Pirineus e é seguida pelo show de Cláudia Vieira, cantora de samba daquelas poderosas que interpreta canções de Caetano Veloso. Depois, Sabah Moraes inaugura o Cavalhódromo e a noite se encerra com os intensos músicos do Quinteto Marco Lobo que recebem Paula Santoro, fechando as apresentações.

PROGRAMAÇÃO (05/10) Quinta–feira
– Débora di Sá às 19h00
– Cláudia Vieira às 19h45 no Cine Pireneus
– Sabah Moraes às 21h no Cavalhódromo
– Show Marco Lobo Quinteto e Paula Santoro às 21h45 no Cavalhódromo

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