Mostra de Cinema de Tiradentes

Bonito por dentro: o interior brasileiro na tela

Alpendre Cultural | 27/01/2018

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21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos principais eventos de cinema do Brasil, recebe filmes de diversos estados e o interior é um tema recorrente

Bonito por dentro: o interior brasileiro na tela

Bonito por dentro: o interior brasileiro na tela

O Brasil é mais bonito por dentro. É preciso colocar o pé na estrada para entender esse país, com feições de um continente. Talvez essa característica que deu os traços de “aventureiro” e inquieto para este povo. Tendo a viagem como mote, sendo ao fugir da seca, procurando ouro nos rios ou até mesmo pela vontade de fugir, para se encontrar. Para chegar em Tiradentes, em Minas Gerais, pego um avião às 3h da manhã em Goiânia. De lá para São Paulo, de São Paulo para Belo Horizonte, de Belo Horizonte para São João Del Rei e, finalmente, de São João Del Rei para Tiradentes. Apesar de exaustiva, a viagem vale muito à pena: o carro vai deslizando entre montes e vales, um mais impressionante que o outro. Destaque para a Estrada Real, que liga São João Del Rei à Tiradentes, construída na época da exploração do ouro.

O interior de Minas Gerais é o Brasil de Pirenópolis, da Cidade de Goiás, de Paraty, no Rio de Janeiro. Cidades marcadas pela febre do ouro e também por serem uma imagem perfeita do brasileiro: do contato com a terra, do amor pelas raízes e do orgulho, nada semelhante aos ideais nacionalistas. Tiradentes recebeu entre os dias 19 e 27 de janeiro a 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Considerado um dos maiores festivais cinematográficos do Brasil, o evento também é uma vitrine do interior do brasileiro e do Brasil.

Uma temática recorrente nos filmes desta edição foi a relação com o interior. Muitas produções apresentaram uma realidade distante dos grandes pólos urbanos, focando nos efeitos do progresso em regiões rurais e cidades do interior. Michel Santos é do interior da Bahia e concorre na Mostra Tiradentes de Cinema na categoria Mostra Formação, com o curta-metragem “Latossolo”. A película aborda a modernização de uma cidade do interior da Bahia e como essas mudanças afetam negativamente na cultura popular. “É uma transformação que afeta não só a economia de um lugar, não só no sentido de crescimento vertical, mas isso acaba afetando a relação das pessoas no espaço, a relação afetiva e ambiental. Cresci lá, vi muita gente chegar de fora também, e a paisagem se modificar radicalmente”, conta Michel

Cena do filme "Latossolo"

Cena do filme “Latossolo”, exibido no dia 24 de janeiro (quarta) na Mostra de Cinema de Tiradente

Meu Interior

“Perceber que esses temas não são falados, é também perceber que são urgentes”, afirma Michel Santos. Em entrevista para Revista Cajá, logo após a exibição de “Latossolo”, ele conta que é importante para o cinema brasileiro produzir imagens sobre o local onde se vive, e como o progresso pode não ser interessante para algumas regiões brasileiras.

O interior é o Brasil à margem, consequentemente o menos fantasiado e mais importante. Para Michel Santos essa temática interiorana é apenas o começo. “Cada vez mais devem existir filmes com essas temáticas, quando se pensa em descentralizar e levar a produção para fora dos ‘centros’. Para que outros seres, outras pessoas além de mim, pensando a diversidade que o país tem, possam ter suas variadas vozes”, conclui.

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