Discotecagem

Baile Pensante compõe cenário vivo em novo formato de festança

Alpendre Cultural | 11/10/2017

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Baile Pensante compõe cenário vivo em novo formato de festança

Victoria Acerbi

O evento “BNegão Bota Som Convida Russo Passapusso” acontece nesta quarta-feira, véspera de feriado

Que goiano é um povo roleteiro todo mundo sabe. Em contextos variados, a capital do pé rachado oferece um arsenal de eventos ao público alternativo, quando inserida em um espaço que trás entretenimento, predominantemente, sertanejo. São baladinhas em casas oitentistas, festivais de rock, cortejo de percussão na rua e inúmeras invenções de moda que, na grande maioria das vezes, acabam funcionando. No entanto, o rolê fora do eixo centralizado, é algo que – embora seja frequente em bairros próximos dos campus universitários mais afastados – dificilmente é disposto ao agregar diversos pontos da cidade.

Mitos no bolachão

Dentro dessa vertente de ocupar espaços mais afastados da cidade, que promovem um contato maior com a natureza, a produtora PACABÁ, em seu primeiro evento, pensou em criar algo diferente. Na ideia de pensar em um momento único, onde aconteça simultaneamente diversas expressões artísticas entre si, o grupo de arquitetos e designers optou por criar um verdadeiro cenário vivo como palco para receber grandes músicos em um evento 100% Discotecagem.

Bernardo Negron – fundador de The Funk Fuckers, conhecido por fazer parte do mítico Planet Hemp, como letrista e vocalista e formador do ilustríssimo BNegão & Seletores de Frequência – dá continuidade a um projeto que circula Brasil e mundo afora: BNegão Bota Som. Existente há quase dez anos, a iniciativa é responsável por lançar sets cabulosos na pista, segundo Bernardo, em um verdadeiro baile pensante.

Dessa vez, BNegão convida o grandioso Russo Passapusso, vocalista do Baiana System, que anda propagando pelo mundo afora um trabalho musicalmente requintado para ouvidos exigentes, além de emitir informações poderosas para o despertar da consciência. Em sua primeira aparição como DJ, o baiano lança um set pra lá de dançante e pensante, tirando pérolas do seu arsenal mítico musical.

Baiana System, que se apresentou neste ano no festival Bananada, conquistou os goianos que não conheciam as batidas incontestáveis, numa mistura de arrocha, hip-hop, samba do recôncavo, reggae e os graves do sound system jamaicano. Passapusso faz parte da nova geração da música popular brasileira produzida na Bahia. Natural de Feira de Santana, sertão baiano, sua iniciação musical foi ao violão na companhia dos sambas que compunha e guardava na gaveta.

A noite também contará com os djs locais, cheios de personalidade. Bruno Caveira e seu set com forte resgate nostálgico dos anos 90, unido às batidas afrolatinas do grande Felamacumbia como carimbó, manguebeat e afrolatinidades. Monike Goyana e seu estilo peculiar vem desenvolvendo sets em vinyl e chamado atenção por seu critério. Transita com desenvoltura pelo universo das latinidades mas não estaciona, Monike é Belina Gaizêra e promete muito boogie, psicodelia peruana e música impopular brasileira.

O cenário vivo

Um evento cheio de musicalidade compõe a sonoridade do ambiente e, nesse caso, de maneira dançante e pensante. Tocadas que se comunicam com nossas batidas cardíacas farão um contexto mais animalesco e altamente sensitivo. Para completar os sons, a união fica por conta dos estímulos visuais e sensoriais. Performances conversarão com percussão feminina, que conversará com pintura corporal, que conversará com poesia, que conversará com galeria de arte independente – e assim sucessivamente. Sem ordem alguma, tudo comporá um cenário vivo, o que podemos chamar de colírio para os olhos, enquanto nossos ouvidos serão aveludados por pérolas indescritíveis, oriundas de um baú mítico de dois grandiosos músicos da cena brasileira.

A noite também contará com estrutura de um estacionamento e um ônibus, que estará disposto exclusivamente para o evento, com dois horários de partida (22h/23h) e dois horários de volta (4h/5h). O veículo vai sair da Base Ambiente Skate Shop (Centro), onde haverá uma pré-festa, regada a campeonato de skate, comes e bebes e o batuque imensurável das meninas do Coró Mulher.

O girar da engrenagem

Com o intuito de festejar, a PACABÁ nasce para se juntar, transgredir e lutar pelos espaços e pela cultura. A produtora intervém na cidade para transfigurar locais e conectar pessoas. Em coletivo, por meio do Desenho, Poesia, Música, Dança, Teatro, Arquitetura e pela própria festança em si, a ideia é construir e fortalecer os espaços de troca e de desenvolvimento artístico-cultural na cidade.

“Na busca de aperfeiçoar as expressões (das mais variadas vertentes) e interação das pessoas em uma experiência de resistência às barreiras bloqueadoras do mundo, PACABÁ procura unir o útil ao agradável, vestindo um conceito ativo ao mesmo tempo em que festeja”, descreve Abel Escovedo, arquiteto realizador da produtora. Murillo Santiago (Produtor); Sarah Steffany (Produtora) e Marcelo Andrade (Arquiteto/Designer) também compõe o time da novidade goiana e Danillo Butas também é pensador e responsável pela identidade visual da produtora.

BNegão Bota Som Convida Russo Passapusso

Dia: 11/10/2017

Horário: 22h

Local: República Sete Pontas

Ingressos: Sympla; Casa Aurora; Mandala Cervejaria; Bar da Tia; Mamute Tattoo Studio

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