MÚSICA

“A mulher do fim do mundo está só no começo”

Alpendre Cultural | 23/09/2016

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Por Luisa Guimarães

Há quase um ano saía A mulher do fim do mundo, o 34º álbum da cantora Elza Soares. Se você não esteve alheio às notícias ou às redes sociais nesse período, ouviu falar dele e ouviu falar dela. Ouviu porque é Elza, daqueles nomes de peso quando se fala em música brasileira, e porque foi considerado um dos melhores discos lançados em 2015 pelas fontes oficiais e não-oficiais. De críticos especializados a críticos de Facebook. O disco é também show, que chega hoje por aqui e amanhã em Brasília.

Elza canta onze faixas que foram escritas especialmente pra ela num álbum que é o primeiro de inéditas dos seus 60 anos de carreira. Ela canta sobre violência, sexo, morte e sobrevivência. Fala da quebrada, do machismo, de transsexualidade, sem medo de levantar bandeira e tem achado incrível. “Além de ser um disco de inéditas, tem uma batida muito forte. Batida que pulsa. E quando pulsa, é que a coisa tá boa!”, ela diz.

Guilherme Kastrup produziu o disco e assina a direção geral do show, que traz a cantora sentada em um trono metálico, acima de todos, bem onde ela tem que estar. Toda a força da mulher que é Elza Soares sendo representada enquanto seu time de músicos a acompanha: Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Felipe Roseno, além do próprio Kastrup. Em meio a esse cenário dominado por homens reinar soberana, em suas palavras, ”não é desafio, é consagração”.

Celso Sim e Rômulo Fróes assinam a direção artística de A mulher do fim do mundo que, além de todos esses nomes, conta com os metais do Bixiga 70 em algumas faixas. Essa semana foi divulgada a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira para o disco, enquanto a faixa Maria da Vila Matilde concorre a Melhor Canção em Língua Portuguesa. “Vocês que me acompanham sabe do que eu estou falando: Eu sou a fênix. E esse trabalho me trouxe de volta para os palcos. Para vocês. Uma gratidão incontável…”, Elza escreveu emocionada em sua página do Facebook.

Dessa maratona de shows que vem enfrentando, mesmo com sérios problemas na coluna e recentes tragédias em sua vida pessoal, Elza só tem elogios. “Das maiores alegrias! Tem sido sucesso absoluto”, afirma. A música que mais gosta de cantar é Maria da Vila Matilde, momento em que dá voz às mulheres que sofrem de violência misógina. É a hora em que grita e denuncia sem medo em nome delas. “Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, ela canta nesse samba. “Cadê meu celular? Isso é muito forte. É aí que dou a dica: é 180 o número que tem que ligar!” diz com sua voz rouca, imponente, mas carregada de cuidado e atenção. Elza é quase didática.

A cantora do milênio, a mulher do fim do mundo vinda do “planeta fome” chega ao Centro Cultural Oscar Niemeyer com seu espetáculo de negritude, samba, rap, ruídos, tudo junto e muito mais. Completam o repertório do show músicas de outros momentos de sua carreira, escolhidas por ela mesma, aquelas que ela gosta de cantar. Se o fim está próximo, Elza já se consagrou nesse mundo.

Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo (2015)

Entrevista: 

O disco é elogiadíssimo e o show não poderia ser diferente. Eu ainda não assisti mas li e ouvi coisas ótimas. Mas como tem sido pra você, Elza, todos esses shows? O que tem sentido?

Tem sido sucesso absoluto, glória! Eu fico muito feliz. A gente só pode ficar feliz com a boa recepção do público, né? É das maiores alegrias, moça. O público tem reagido de uma maneira incrível.

E como é cantar sobre temas tão fortes, principalmente quando não se tem medo de “levantar bandeira “como você?

Esse disco é todo muito forte. Além de ser um disco de inéditas, tem uma batida muito forte. batida que pulsa. E quando pulsa, é que a coisa tá boa! Além de estar levantando bandeiras importantes, mostrando o que tem que mostrar.

Tem alguma música que você gosta mais de cantar?

A Maria da Vila Matilde. “Cadê meu celular?”. Isso é muito forte. Ela não aceita mais. É aí que dou a dica: é 180 o número que tem que ligar! Agora, atém de cantar, eu ainda dou a dica durante a música pras mulheres.

Os músicos que te acompanham são incríveis, né? Aliás, a grande maioria da equipe que te acompanha é de homens. Para você, Elza, como é ser a mulher?

Olha, pra mim não é desafio, é consagração. Um time de homens e eles tem que obedecer a uma mulher, não é? Tem que respeitar, tem que ouvir. Isso é muito bom.

O que vem por aí de Elza Soares?

A mulher do fim do mundo está só no começo. Tem muita coisa pra fazer com esse disco ainda, tem o vinil que foi lançado… Vou continuar focada nele, muito dele ainda vai vir.

ANOTE

Elza Soares – A mulher do fim do mundo

Data: 23 de setembro (sexta-feira)

Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer | Goiânia

Horário: 20h

Endereço: Av. Dep. Jamel Cecílio, 4490 – Setor Fazenda Gameleira, 

Ingresso: R$ 120,00 + serviço

Venda: https://meubilhete.com/elzasoaresgoiania

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